Bolsoespiritismo: a opção pelo “eu” e o esquecimento da caridade

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Foto: Wirestock/Freepik
É importante falar sobre o que se entende como bolsoespiritismo.
A adesão reacionária de muitas lideranças espíritas ao abjeto bolsonarismo não é a causa, mas uma consequência duma forma de entender e agir dentro do movimento espírita.
O agir autocentrado, pautado na infame “reforma íntima”, que se tornou um mantra desse tipo de reflexão egoica, já produziu seus frutos apodrecidos no transcorrer da curta história do movimento espírita.
Médiuns, palestrantes, lideranças, todos afeitos a esses trejeitos ególatras, propalam uma “transformação interior” como objetivo principal do espírita. Nada é mais falso e divergente em relação às propostas espíritas, pois, ao se fazer uma leitura ampla e cuidadosa das obras kardecistas, o que salta aos olhos e mentes atentos à mensagem é um grito aos encarnados no sentido de que a única forma de se autotransformar é transformar o mundo em que se vive. Não há nenhuma possibilidade de mudança pessoal sem que ela venha acompanhada de esforços na luta por uma sociedade mais justa e fraterna.
E não se fala aqui de ação social por meio da “caridade” esmoler, como os próprios espíritos repudiam, mas de uma verdadeira ação transformadora da sociedade, para que não se tenha, no meio em que se vive, ninguém com fome ou sem ter onde morar.
Os espíritos encarnam para mudar o mundo, e isso é que muda o espírito encarnado, ensinam aqueles que auxiliaram Kardec.
Todo esse movimento reacionário, que abafou a necessária ação transformadora do espírita na sociedade, foi o fermento que fez crescer essa massa disforme de lideranças espíritas que pregam o exclusivo subjetivismo burguês como mensagem cristã em contraposição a uma sociedade em que todos vivam com dignidade.
O resultado dessa escolha pelo eu e não pelo coletivo é exatamente o que hoje se entende como bolsoespiritismo. Pessoas, grupos e instituições, que pregam essa mensagem personalista e egoísta, hoje barbarizam com suas interpretações inconsequentes e escolhas políticas malsãs, que falam de amor mas praticam o ódio, que defendem a vida mas escolhem a morte, enfim, que são o sumo da hipocrisia denunciada por Jesus: “Ai de vós, hipócritas, sois sepulcros caiados”.

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