O camarada Elton Rodrigues escreveu na página do Coletivo Espírita Anísio Spínola Teixeira uma carta com reflexões acerca dos caminhos da esquerda e que é reproduzida a seguir. Vale a leitura.
Apenas uma carta
Elton Rodrigues – Coletivo Espírita Anísio Spínola Teixeira
Camaradas, irmãs e irmãos, escrevo essa carta aos que almejam uma real transformação do movimento espírita.
Hoje, talvez mais agudo do que qualquer outro momento da história pós-ditadura do espiritismo brasileiro, há uma divisão entre os que defendem o status quo e os que querem mudanças significativas na sociedade. Realizando um recorte e visualizando de mais perto o grupo dos insatisfeitos veremos, nitidamente, estratificações multivariadas.
Reflexões sobre como alcançar tão sonhada união entre essas estratificações é antiga, e pouco conseguimos avançar nessa área. Muitas teorias, muitos textos e poucas ações reais. Não quero ser mais um falando sobre a importância da união dos progressistas, para o freio das ideias e práticas conservadoras, sem sugerir formas para que esse objetivo seja alcançado. Gostaria de indicar sugestões para que os espíritas progressistas, dos que se localizam ao centro até aos mais radicais – na melhor interpretação da palavra, possam trabalhar juntos.
1) É necessário que haja amadurecimento intelectual de todos sobre o termo radical. Ser radical, por exemplo, não significa que este grupo deseja a luta armada. Análises superficiais, sobre a história das lutas da esquerda mundial, não ajudam em uma possível aproximação.
2) Defender a importância das eleições não significa que há passividade ou ingenuidade. Como proposta de reflexão, imaginemos o Congresso Nacional atual sem as bancadas dos partidos mais à esquerda. O estrago seria bem maior.
3) O estudo é importante, mas não podemos ficar apenas nas reflexões históricas buscando contextualizações com o tempo presente. O mundo não mudará apenas com análises. É necessária e fundamental a aproximação com o povo, com os trabalhadores urbanos e rurais!
E como fazer essa aproximação?
a) Só conseguiremos abrindo espaços. O movimento deve ser nosso. Não adianta achar que depois de várias horas de trabalho, de engarrafamento, de alimentação fugaz, o povo, em grande número, terá forças para novos deslocamentos, buscando estudos aprofundados sobre a luta contra o capitalismo.
b) Nós é que devemos buscar o povo! Favelas, mangues, ruas, onde o povo estiver, temos que estar. Apoiando, ouvindo, auxiliando no que for possível. E sem catequizar!
c) A aproximação sempre será profícua se estiver atrelada ao afeto. Afeto verdadeiro. Acredito que esse seja o ponto mais importante.
4) É necessária a criação de grupos de estudos que estejam atrelados à prática no mundo. Não adianta ficarmos apenas mergulhados nos textos, é necessário praticar – testando – aquilo que parece lógico. Será que funciona na vida real? Se não funciona, tem como melhorar a tática? Como?
Enfim, será na prática que veremos que os desejos, os acertos e os erros dos progressistas, em seus diversos estratos, estão mais próximos do que imaginamos.
Nosso inimigo maior é o mesmo, mas não venceremos essa guerra colocando todas as nossas forças para enfrentá-lo diretamente sem o apoio popular. Nosso objetivo deve ser o povo! Sem o povo não conseguiremos modificar nada. E quais são os anseios do povo, vocês sabem?
Temos que ouvir mais e falar menos.
Temos que trabalhar mais e divagar menos.
E quando o debate surgir, não há espaço para melindres infantis. A luta é coletiva e, nesse caso, o esforço por alcançarmos a tão sonhada equiparidade social deve ter maior destaque do que as birras e outras atitudes infantis.
Vamos lutando, companheiros e companheiras, na construção das raízes que possibilitarão a real transformação do movimento espírita, e da própria sociedade, pelas gerações futuras.
Publicado no Facebook em 11/2/2020.
O movimento espírita conservador e interessado, bem representado por federações e grandes casas espíritas, tem-se especializado na promoção de eventos sempre pagos pelo público, desvirtuando sua finalidade primacial que é o atendimento aos que mais necessitam.
E o pior, além de preços por vezes inalcançáveis para o público em geral nesses eventos de e para a elite espírita, muitos dos afamados médiuns, palestrantes e dirigentes têm-se tornado verdadeiros mercadores da fé, usando o espaço da casa espírita para arrebanhar clientes para o seu lucrativo negócio de atendimento psicológico, terapêutico e de outras bizarras formas de atendimento, além do absurdo nicho de mercado da orientação de autoajuda –o “coach” espiritual–, fazendo da casa espírita seu local privilegiado de propaganda.
É preciso colocar o dedo nessa ferida, pois a casa espírita e suas estranhas federações são hoje local de comércio e de astúcia profissional.
O coletivo “Espíritas à esquerda” coloca como uma de suas premissas para quaisquer dos seus eventos a inscrição gratuita. E recomenda a todos que o procuram a se afastarem dessa estranha gente que ganha dinheiro em cima da miséria alheia e falando em nome do espiritismo.
Em crítico texto sobre isso, o camarada Franklin Félix faz uma reflexão sobre essa mancha que se espraia feito um carcinoma moral no âmago do movimento espírita.
Não se conseguiu identificar a autoria da imagem que acompanha essa postagem. Quem souber, favor informar para que se possa dar o crédito merecido.
A íntegra do texto de Felix está aqui.
Publicado no Facebook em 5/2/2020.
Nesse texto sensível da Ana Cláudia para o Repórter Nordeste, ela nos fala sobre a necessidade de se conhecer o tenebroso momento histórico vivido pelo país durante a ditadura militar e a incoerência dos bolsoespíritas em relação a esse período.
O que os espíritas sabem sobre ditadura militar e sofrimento?
Ana Claudia LaurindoPublicado originalmente em Repórter Nordeste
Já falei sobre isso e volto a falar: entre todas as experiências que tive em reuniões mediúnicas, uma das mais marcantes vem de uma sequência semanal de comunicações de espíritos vitimados pelas práticas de tortura levadas adiante pelo governo do Brasil, no período reconhecido como ditadura militar.
Eles eram trazidos para conversar comigo, pois naquela mesa o próprio dirigente recusava empatia a tais espíritos, costumando despejar seus próprios juízos de valor sobre a responsabilidade deles mesmos na sorte que os acolhera.
Mas eu os ouvi com sensibilidade, sim. Conhecia a história, acreditava nela e acima de tudo, me solidarizava com os relatos de quem conheceu na carne que um dia vestiu, a tirania máxima da força.
Muitos deles ainda não estavam em paz, apresentavam revolta e descrença, outros em estado de semi-demência se acreditavam ainda presos. A ética e a humanidade doída me impedem de relatar detalhes das torturas que lhes foram impostas, por seres que pareciam humanos, mas eram apenas soldados em uma guerra contra irmãos.
Houve tortura promovida pelo estado brasileiro, que perseguiu e matou muitas pessoas por causa de escolhas políticas de caráter societário e humanitário, sim! Sou testemunha das comunicações mediúnicas de algumas destas vítimas, sim! E como cidadã brasileira e espírita, não pude jamais coadunar com as políticas de um presidente que louva o maior torturador reconhecido pela história oficial, o coronel Brilhante Ustra.
[…]
Sigo agora, em questionamento aos nossos irmãos do meio espírita que apoiam Bolsonaro: o que vocês conhecem sobre a ditadura militar no Brasil?
Aquilo que seus pais burgueses disseram, sobre um tempo de paz?
O que vocês leram sobre o efeito letal dos atos institucionais emitidos pelo país no período dos governos militares?
Como vocês conseguem continuar apoiando a morte de maneira tão escancarada?
Já está na hora de vocês deixarem de repetir frases de efeito e mergulharem na leitura séria, para conhecerem mais sobre a verdadeira história da participação dos militares na sociedade brasileira.
Espírita que não conhece contexto histórico e político do próprio país não está cumprindo a parte do ‘instruí-vos’, e talvez esta seja a razão do não alcance do ‘amai-vos’ com abrangência humanitária e universal.”
Publicado no Facebook em 28/01/2020.
Mais um texto maravilhoso do nosso camarada Franklin Félix, no blogue “Diálogos da fé” na Carta Capital, que enfrenta os problemas que hoje grassam num movimento espírita que majoritariamente defende o ódio, a violência e a injustiça como prática política.
Publicado no Facebook em 27/1/2020.
Espiritismo não combina com armas, pena de morte, violência e discurso de ódio
A doutrina espírita, essencialmente educativa, tem como objetivo libertar e proclamar o reino de Deus – de justiça, amor e paz – para todos.
‘Jesus respondeu: amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento! Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas dependem desses dois mandamentos.’ Mateus 22:34-40
É raro o dia em que não recebo – de amigos/as ou anônimos, no privado ou público – mensagens de desencanto com o movimento espírita, com dirigentes, médiuns famosos ou palestrantes popstars. São sempre depoimentos muito doloridos, relatando perseguições, censuras e até expulsões.
Uma companheira partilhou que durante o passe – prática amplamente difundida entre os espíritas e que consiste na imposição de mãos, visando promover a doação de bioenergias de um indivíduo ao outro – o passista (que é a pessoa que aplica o passe) pediu a espiritualidade que ‘livrasse a irmãzinha das influências do comunismo’. Outra companheira desabafou que foi retirada de todos os trabalhos espirituais do centro espírita (que ela ajudou fundar) por conta de suas ideias sociais e progressistas. Um casal de amigos abandonou o centro espírita depois que foram impedidos pelos dirigentes de continuarem atuando na evangelização infantil (uma espécie de catecismo) para não influenciarem as crianças ‘com essas ideias esquerdistas antidoutrinárias’. Nós mesmos fomos expulsos da rádio espírita que fazíamos programa a mais de 13 anos por dizermos que o presidente – na época candidato – era machista, racista, LGBTfóbico e violento (continuamos afirmando e agora com mais motivos).
A sensação que tenho é que todos os violentos, hipócritas, cruéis, incluindo aí os religiosos, resolveram sair, de uma só vez, dos seus armários e tumbas. Estão se sentindo empoderados.
[…]
Uma das possibilidades que a doutrina espírita apresenta para o enfrentamento da violência é a educação em suas múltiplas interfaces. O espiritismo, essencialmente educativo, tem como objetivo libertar e proclamar o reino de Deus – de justiça, amor e paz – para todos/as, mas a sua missão não poderá ser realizada em um ambiente de acomodação e ‘paz’ que só atendem a alguns poucos.
[…]
As forças progressistas dentro da doutrina espírita serão o futuro de uma doutrina livre e que cada vez mais estará integrada com o povo e suas conquistas sociais.”
Nesses estranhos e sombrios tempos, em que algozes pouco elaborados da própria esquerda tentam manchar a trajetória de Lênin, o artigo da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) vem trazer um pouco de luz e seriedade ao debate.
Publicado no Facebook em 25/1/2020.Lenin, líder da Revolução Russa de 1917.
Comunismo e nazismo são opostos. Os comunistas guardam sonhos!
Talíria Petrone – Deputada federal do PSOL-RJ
Muita confusão e mentira no debate sobre Lênin e a Revolução Russa. Resolvemos elevar o nível da discussão. Hitler era de direita, anticomunista. As direitas, para fugir dessa ligação, tentam igualar comunismo e nazismo, quando são justamente opostos.
A Revolução Russa não é obra de um só homem. Foi um acontecimento histórico que marcou o século XX. A Rússia concentrava enormes contradições. Mantinha um regime absolutista com um czar, se industrializava e criava uma classe operária e uma enorme massa de camponeses famintos.
Em fevereiro de 1905, após a reação ao massacre de manifestação pacífica (domingo sangrento), o czar faz concessões. Instala um parlamento (Duma), permite partidos e põe fim à guerra com o Japão. Surgem os sovietes (conselhos populares). Estava plantada a semente da revolução.
Em 1914 a Rússia entra na I Guerra Mundial, perde metade das tropas e a fome se alastra. Declarada a guerra, a maioria do movimento socialista internacional adere ao nacionalismo e à guerra. Rosa Luxemburgo, Lênin, Alexandra Kollontai, Trótski e outros se mantêm contra a guerra.
Em fevereiro de 1917 eclode a Revolução na Rússia. A greve das mulheres tecelãs foi o estopim para o que foi chamada de Revolução de Fevereiro. Os soldados se recusam a reprimir as manifestações e no final de fevereiro um mar de trabalhadores e soldados ocupam a Duma.
Sem apoio, o czar é substituído por um governo provisório, liberal-burguês, que mantém o país na guerra. Do outro lado, os sovietes passam a se considerar o poder legítimo que emana do povo, forma uma Guarda Vermelha e emite ordens para as tropas. Vigora uma dualidade de poderes.
Lênin volta à Rússia do exílio com as ‘Teses de abril’, defendendo todo poder para os sovietes e como lema: ‘PAZ, PÃO E TERRA’. Em outubro, as teses de Lênin se tornam majoritárias e no dia 25 um grande movimento cerca a capital e o governo provisório cai, com pouquíssimas baixas.
As primeiras medidas foram o controle das fábricas pelos operários em regime de autogestão, a divulgação de todos os tratados secretos, a distribuição de terras aos camponeses, o pedido imediato de paz e o armistício, a declaração dos direitos nacionais dos povos minoritários.
As mulheres da Revolução foram responsáveis por inúmeros avanços na igualdade de gênero do país. Em 17, foi decretada a igualdade entre todos os cidadãos, o divórcio foi legalizado e mulheres tiveram o direito à terra. A Rússia foi o primeiro país do mundo a legalizar o aborto.
A Revolução era emancipatória, aprofundava liberdades existentes e criava outras. O congresso dos sovietes, após a Revolução, talvez seja o parlamento mais democrático da história. No livro ‘O estado e a revolução’, escrito em 1917, Lênin mira o fim do estado e a democracia plena.
A Revolução foi cercada pela aliança das potências capitalistas, os czaristas e latifundiários: o Exército Branco. Começa a guerra civil, milhares de pessoas morrem de ambos os lados. O Exército Vermelho, liderado por Trótski, vence e abre caminho para a República dos Sovietes.
Há erros na trajetória de Lênin e Trótski? Claro. Houve episódios de violência excessiva, Trótski iria reconhecer que sim, mais tarde. Mas é mentira o massacre de milhões, os confrontos principais eram episódios de guerra, que lamentavelmente a resistência czarista impôs ao país.
Muita gente fez confusão de Lênin com Stálin. Lênin morreu em 1924, não existiam gulags, por exemplo. A partir de 1926 cria-se uma Oposição Unificada no Partido Comunista da URSS, em que participava Krupskaia, companheira de Lênin, contestando a direção de Stálin.
Eu sou da IV Internacional, fundada em 1938. Stálin fecharia a III Internacional, de Rosa e Lênin, em 1942 para entrar na II Guerra. Em 1956, revelaram-se os expurgos e execuções ocorridos nos anos 30. A revolução foi traída e todo o comitê central bolchevique assassinado.
Pra quem quiser conhecer um pouco mais, sugiro a leitura de ‘Os dez dias que abalaram o mundo’ do jornalista estadunidense John Reed. Há também o filme ‘Reds’, que concorreu a três Oscar, incluindo o de melhor filme, que conta um pouco da vivência desse jornalista na Revolução.
Absurdo comparar Lênin a Hitler. Lênin está na história por declarar a paz, Hitler pela guerra. Lênin pelas obras de política e filosofia, Hitler pelo panfleto antissemita. Não faz sentido comparar a URSS com a Alemanha Nazista, pois foram os soviéticos que derrotaram o nazismo.
Homenagear Lênin não é culto à personalidade, ele repudiava isso. Seguimos o pedido de Krupskaia, sua companheira, em seu velório: ‘não deixem que o luto por Ilítch se transforme em veneração exterior à sua pessoa. Ele dava muito pouca importância pra tudo isso em vida’.
Sou militante ecossocialista. Lênin e a Revolução Russa ocupam lugar especial na tradição dos que lutam pela revolução da liberdade, igualdade, justiça e paz. Não aceitaremos a narrativa que criminaliza o comunismo. ‘Os comunistas guardam sonhos’. Os comunistas enxotam fascistas.”
Nesse vídeo dos anos 1980, o cientista político estadunidense Michael John Parenti fala sobre como percebe as experiências socialistas no mundo.
Foto Wikipedia
O socialismo, como proposta de transformação da organização da sociedade, pretende apenas levar pão aos famélicos, letra aos ignaros, casa aos desabrigados e, por fim, dignidade aos homens.
Esse é o nosso sonho, que foi também sonhado por um cara muito gente boa que viveu há pouco mais de dois mil anos, e que dizia:
“Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?
Digo a verdade: O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo”
(Mateus 25,44-45).
Vídeo legendado por Leandro de Souza Pereira.
Publicado no Facebook em 24/01/2020.
Foto Gaudium Press
Quando aqueles que se julgam no topo da sapiência teológica se referem ao espiritismo como território de maldição, podem em nós instigar o exercício da benevolência, para seguirmos atuando amorosamente, sob a luz da compreensão de que existe uma diversidade de olhares e ângulos de visão, aumentando assim a imunidade às formas arcaicas de intolerâncias, em cunho religioso, principalmente.
Porém, algumas reflexões nós precisamos fazer, pois além das coordenadas morais que nos movem, existem os contextos históricos e políticos que nos competem analisar, haja vista estarmos neles envolvidos. Até que ponto os espíritas eleitores e defensores do presidente percebem que somos todos alvos de intolerância religiosa por parte daqueles que empoderaram politicamente?
Ao contribuírem com o percentual de votantes brasileiros que elegeu Bolsonaro, muitos jornadeiros do meio espírita omitiram o uso da lucidez, fortalecendo um projeto totalitarista de base antiga, que mergulhado na ignorância arrogante referenda a posse de Deus a uma vertente religiosa única, embora retalhada em representatividades: o evangelismo.
Desde a nascente das intolerâncias, o espiritismo carrega a tarja de impuro ou maldito a ele imposta pelos segmentos arcaicos, que, com Bolsonaro na presidência, sentem-se não apenas representados, mas empoderados e sequiosos de aumentar a própria força, na luta por uma hegemonia evangélica no estado, que paulatinamente vai esquecendo a laicidade.
Desde as vigílias pelo presidente e envolvimento maciço na divulgação de “fake news” para manipular os mais simples na construção de um mito que também é de mentira, hordas de pastores participaram do processo eleitoral como “principados e potestades” em um reino de fé cega, com objetivos visionários de enriquecimento e domínio cultural.
Fascinados pela fanfarronice de ter “derrotado” um inimigo político fictício, os espíritas de direita continuam arrotando apoio ao algoz das liberdades.
Quantas perseguições serão necessárias para que despertem? Um estado evangélico respaldará as bases da codificação espírita? Acaso acreditam que apenas os “espiritualistas” serão alvejados? Onde estará a razão dos representantes arcaicos deste segmento espírita conservador? Estará no mesmo lugar onde esqueceram a caridade e o senso humanitário?
Por ora refletimos. Aos intolerantes, perdoamos. Mas amorosamente resistimos com Jesus e Kardec.
Quando se lê o texto de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal, entende-se a razão pela qual sujeitos que se autodenominam “cidadãos de bem” são capazes dum horror sem par. Basta, para isso, que estejam imbuídos dum ideal qualquer e que por ele tenham uma consideração quase sagrada.
Assim tem sido a nova experiência fascista, que já tangencia o nazismo, aqui no Brasil. Pessoas que antes estavam imersas na mediocridade de suas vidas veem seus preconceitos e dificuldades morais ecoados no poder e se entregam ao mal de forma inteira, e sem o considerarem como um “mal”. Aderem à violência explícita e pregam, sem pudor algum, o extermínio dos diferentes.
Aquele tio simpático torna-se, de repente, uma estranha figura que propala o ódio e a violência contra o diferente. A cândida vozinha passa a ser, ao se ver no espelho do horror, o aríete do preconceito e da pregação da eugenia moral. Todos, afinal, trazem em si a flama do mal, que se acende ao ser provocada pelo gás da raivosa intolerância.
Daí a máxima de Jesus: manter-se em eterno estado de vigília contra seus monstros interiores, pois só assim se é capaz de lutar contra a banalidade do mal que ainda existe e resiste no âmago de todos os seres.
Abaixo segue postagem da página “Iconografia da História” sobre a banalidade do mal. (LINK ORIGINAL AQUI)
Publicado no Fabebook em 20/1/2020.
A Banalidade do Mal: o que levou o cidadão comum a aderir ao Nazismo
O que levou o cidadão de bem a aderir ao nazismo e fechar os olhos aos absurdos que ocorreram na Alemanha, durante o governo de Adolf Hitler?
Adolf Eichmann, o homem que enviou milhões de judeus para encontrar com a morte em Campos de Concentração.
Como o conceito de banalidade do mal alterou significativamente a forma de entender como a maldade ganha força nas sociedades contemporâneas, através de indivíduos comum.
Adolf Eichmann, o homem comum que enviou milhões de judeus para encontrar com a morte em campos de concentração, aguarda sua execução no corredor da morte.
Foi através da história desse burocrata alemão, que a filosofa Hannah Arendt criou o conceito de ‘banalidade do mal’, para explicar como um cidadão comum foi capaz de cometer maldades terríveis, a partir da perda da capacidade de reflexão.
O período do nazismo na Alemanha é considerado como produtor de uma das maiores tragédias da história da humanidade. Conhecido como holocausto, o evento consistia em separação, submissão ao trabalho forçado, e extermínio de judeus em massa. Os locais escolhidos para realizar essas barbáries foram os campos de concentração. Eichmann, filho de um bibliotecário e de uma empregada doméstica, foi um dos principais responsáveis por organizar a logística e viabilizar as viagens dos vagões da morte. Em um serviço que propiciou o start para o processo de extermínio dos judeus.
Após a queda do Reich, e ocupação das tropas aliadas em Berlim, Eichmann conseguiu fugir para a Argentina, onde mudou de nome, e arrumou um emprego na Mercedes Benz. Após 15 anos vivendo na surdina da falsa identidade, foi capturado, em 1960, por uma equipe do Serviço Secreto Israelense. Levado até o Tribunal Internacional, Eichmann era tratado como um homem monstruoso, até o inicio do julgamento.
A ideia da monstruosidade do burocrata só foi desconstruída quando a Judia Hannah Arendt, que foi obrigada a se exilar nos Estados Unidos após ascensão do nazismo, foi enviada por uma revista norte-americana, para escrever sobre o processo de julgamento do alemão.
A filósofa, após ler as quase 4 mil páginas de inquérito policial e as peças de acusação e defesa, acabou se deparando com um homem terrivelmente comum. Eichmann era um pai de família exemplar, daqueles que olhava os cadernos dos filhos, que tratava a esposa com respeito e carinho, cultivava crença religiosa protestante, frequentava igreja e cumpria ordens sem questionamentos. Sua principal preocupação era executar suas funções com a maior eficiência possível. Hannah percebeu que o alemão não se considerava parte do assassinato em massa, que em sua mente o errado seria não ter realizado os atos de sua função. Durante o interrogatório, o ex-burocrata se sentia mal quando confrontado, pelas partes, que suas ações foram responsáveis pela morte de milhões de Judeus, que seu respeito às ordens do governo alemão foi responsável por levar parte significativa de um povo para câmara de gás.
Arendt foi pressionada de todos os lados para descrever Eichmann como o satanás, mas em respeito à honestidade intelectual, viu ali a oportunidade de criar um novo conceito para entender a maldade do século XX. Foi nessa ocasião que nasce um dos pontos altos de sua obra: ‘A banalidade do mal’.
Foi a partir do acompanhamento do julgamento que a filósofa teorizou que o pior mal é realizado pelo cidadão comum, o homem médio, pessoas que estão inseridas em um sistema onde a maldade é difundida por todos os lados, principalmente quando esses perderam a capacidade de reflexão crítica e a habilidade de dizer não e se indignar perante a anti-ética do sistema. Os monstros estão mais próximos de nós do que pensamos e todo homem pode reproduzir o mal sem entender o que está fazendo como um absurdo.
Os textos de Arendt, que receberam duras críticas pela comunidade internacional, foram publicados no livro ‘Eichmann em Jerusalém’, e alterou significativamente a visão da comunidade internacional sobre como os crimes contra humanidade ocorrem. A autora chegou a conclusão que o mal é difuso na sociedade, e que quando ele se banaliza, as barbaridades mais terríveis passam a ocorrer.
O conceito de banalidade do mal contribuiu para que os estados e as universidades passassem a se preocupar com o ensino reflexivo crítico, pautado nos direitos humanos e priorizassem a formação dos alunos através do ensino da maior pluralidade de ideias possível, para que eles não percam a capacidade de se indignar nas situações em que a ética humana é colocada em xeque.
O mal, se descuidado, passa de exceção para a regra, e os seus malfeitores não percebem a gravidade da maldade que estão perpetrando.
Deixar de ensinar nas escolas a pluralidade de ideias é contribuir para reforçar a banalização do mal entre nós.
P.S.: Um pouco antes do enforcamento, Eichmman enviou uma carta à corte que o julgou pedindo clemência, ele alegou que era apenas uma peça no sistema, e que os verdadeiros responsáveis pelas mortes foram os líderes do governo alemão.”
Referências:
AGUIAR, O. A. Violência e banalidade do mal. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/…/violencia-e…/. Acesso em 10/03/2019.
ANDRADE, Marcelo. A banalidade do mal e as possibilidades da educação moral: contribuições arendtianas. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n43/a08v15n43.pdf. Acesso em 11/03/2019.
ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
As ovelhas, guiadas por seus pa$tore$ fundamentalistas e nada cristãos, seguem inertes ao abate físico, psíquico e social. E vão balindo seus brados ignaros e preconceituosos contra tudo e contra todos que ousarem retirar seus antolhos de fé e de dor.
Autor da charge não identificado, se alguém souber, avisa pra gente dar crédito.
Da mesma forma, bolsoespíritas seguem enaltecendo e seguindo seus “médiuns de direita”, que os conduzem ao abismo moral e cognitivo, sem perceber que numa teocracia fundamentalista cristã, que se vislumbra no sombrio horizonte, essa gente que fala com os mortos em reuniões fechadas estará no início da lista de hereges e inimigos a serem combatidos e exterminados, e tudo em nome do amor.
Os espíritas, sendo progressistas ou não, estarão, todos, nessa tenebrosa e iminente teocracia, marcados, tal qual judeus sob o nazismo, como não cristãos e serão conduzidos à violência social da ignomínia e da desonra pessoal e familiar.
Como disse Jesus a seus seguidores:
“Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas.” Mateus, 10, 16.
Arte de Jornalistas Livres.
Muitos bolsoespíritas ainda tentam tergiversar sobre o caráter desse (des)governo de milicianos e corruptos, mas não há mais outro nome a ser dado a isso: fascismo da pior espécie, que começa a brincar com o horror nazista.
Essa estranha gente, que certamente estará para sempre no lixo mais fétido da história, poderá ainda causar muitos estragos na sociedade brasileira, conforme suas falas têm demonstrado.
Nossa tarefa histórica é resistir e lutar contra essa podridão moral e cognitiva. Não há mais outra palavra de ordem a ser bradada por todos os cidadãos progressistas: Fora Bolsonaro!
A notícia que chocou o mundo está na íntegra aqui.
Publicado no Facebook no dia 17/01/2020.