Um golpe anunciado

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Para quem ainda achava que um novo golpe civil e militar não mais caberia na nossa república, parece não haver mais surpresas desse mórbido projeto da quadrilha miliciana, haja vista as últimas declarações de seus maiores representantes.

Manifesto dos espíritas progressistas pela abertura do processo de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão

Num breve contexto mui recente, podem-se listar os seguintes anúncios feitos pelas redes sociais e reverberados pelos grandes meios de comunicação:

  1. A rebeldia pueril do general:

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, na última sexta-feira, dia 22 de maio, rebelou-se com a possibilidade de apreensão do celular do presidente miliciano e genocida[1] após o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter encaminhado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, um pedido apresentado por parlamentares de oposição para apreensão do celular do inominável. Sua reação foi destemperada e despropositada, afirmando que isso seria uma “afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e interferência inadmissível de outro Poder” e que “poderá ter consequências imprevisíveis”. Disse ainda que “o pedido de apreensão do celular do presidente da República é inconcebível e, até certo ponto, inacreditável”, acrescentando um “alerta” às autoridades de outros poderes de que “tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

A pergunta que não se cala, apesar do silêncio conivente e covarde do STF e da grande imprensa, é: que consequências, general? Isso é uma ameaça ao estado nacional transformado nessa republiqueta laranjeira, miliciana e corrupta?

  1. A ameaça explícita do 03:

A família miliciana participa, toda, até mesmo vereador, do governo federal. Isso já se sabe há muito. Mas um dos príncipes herdeiros do trono miliciano passou a assumir seu papel de ameaçador da república e de instigador da desordem institucional.

Em transmissão ao vivo com o investigado e famoso difusor de mentiras e notícias falsas, o “blogueiro” Allan dos Santos, o 03 afirmou não ter dúvida de que será alvo de uma investigação em breve e disse que participa de reuniões em que se discute não “se”, mas “quando” acontecerá o “momento de ruptura” institucional no Brasil[2].

  1. A desobediência ao judiciário do “capo di tutti capi”:

Hoje pela manhã, dia 28 de maio, o energúmeno presidente, o chefe da quadrilha eleita pela mentira e pelo ódio e sob a complacência criminosa da imprensa cooptada e do judiciário interessado, mostrou-se indignado com a operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão contra seus cúmplices, no inquérito das “fake news” e, em frente ao Palácio da Alvorada, falando para seu cercadinho de apoiadores milicianos, disse em alto tom:

“As coisas têm limite. Ontem foi o último dia e eu peço a Deus que ilumina as pessoas que ousam se julgar melhor e mais poderosas que os outros, que se coloquem no seu devido lugar. […] Acabou, porra!”[3].

O que acabou? A única coisa que fica patente para todos é que o (des)governo fascista acabou. Não há projetos de saúde, de educação, de promoção do trabalho, de nada, enfim. Na verdade, esse (des)governo jamais começou.

Portanto, o que se percebe nas últimas declarações do emparedado crime organizado instaurado no poder central é o aumento do tom golpista e das ameaças às frágeis instituições republicanas nacionais. E isso acima relatado foi apenas a partir das decisões judiciais tomadas pelo STF na última semana, pois essas ameaças às instituições já vêm acontecendo desde o último período eleitoral e durante todo o ano passado –lembram-se do jipe com um cabo e um soldado?[4] Ou a ameaça de um novo AI-5[5]?

É preciso que o Congresso Nacional e os órgãos máximos do poder judiciário (STF e TSE) assumam seu papel nesse latifúndio de canalhices e afastem com urgência essa quadrilha com intenções autoritárias do poder executivo federal. E, caso não o façam, por desídia e covardia, devem assumir que se prestaram ao triste papel histórico de omissos e, portanto, apoiadores da ruptura institucional do estado brasileiro.

Os espíritas progressistas já se manifestaram recentemente contra essa situação política vexatória e exigiram a queda desse (des)governo e da sua necropolítica[6].

Aos que quiserem unir-se a esse manifesto, o endereço para assinatura está aqui.

Notas:

[1] https://extra.globo.com/…/general-heleno-diz-que…

[2] https://www.terra.com.br/…/eduardo-bolsonaro-critica…

[3] https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaro-revolta-acao-fake…

[4] https://agenciabrasil.ebc.com.br/…/eduardo-bolsonaro…

[5] https://brasil.elpais.com/…/poli…/1574424459_017981.html

[6] https://web.facebook.com/espiritasaesquerda/posts/1029865864074404

 

Publicado no Facebook em 28/5/2020

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