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Sinal dos tempos

COLUNA – Nós contra o fim do mundoPor Sinuê Neckel Miguel

Just stop your crying, it’s a sign of the times (Apenas pare de chorar, é um sinal dos tempos)

We gotta get away from here (Temos que sair daqui) We gotta get away from here (Temos que sair daqui)

Stop your crying, baby, it’ll be alright (Pare de chorar, amor, vai ficar tudo bem)

They told me that the end is near (Eles me disseram que o fim está próximo)

We gotta get away from here (Temos que sair daqui)

Harry Styles, Sign of the Times

Gostaria de começar esta coluna de um modo bastante honesto. Para isso, terei de ser mais pessoal, menos restrito à exposição de conhecimento científico e ao esforço analítico para tirarmos daí as possíveis ou necessárias conclusões. Após um certo período de “silêncio”, decidi voltar a escrever sobre o colapso socioambiental em curso, no qual a emergência climática tem um papel central. As razões são múltiplas: algum efeito terapêutico para minha própria angústia (muitos chamam isso de ansiedade climática), as minhas próprias limitações em me comunicar cara a cara com as pessoas (em geral indispostas a falar de algo tão “desagradável”), um sentimento de dever (talvez culpa?), por vezes bastante perturbador… Mas, creio que a principal das razões se localiza num fio de esperança (talvez religiosa – a fé) de que ainda podemos operar uma espécie de “milagre”: um despertar do sono coletivo para uma revolução capaz de reverter o curso do colapso. Não é fácil encontrar alguma razão para a esperança. Na verdade, cada nova informação sobre clima, solo, água ou biodiversidade me leva tristemente a um reforço do meu (adquirido) pessimismo – ou, mais propriamente, do meu desolador realismo. É desesperador. Ainda mais porque eu sempre cultivei um imenso otimismo. Minha visão de mundo, muito alicerçada no espiritismo, me dava confiança de que os grandes problemas da humanidade são superáveis. Evoluímos, aprendemos com a experiência, somos, afinal, espíritos imortais. Cedo ou tarde, o capitalismo haveria de ser superado. O amor, um dia, vencerá. O colapso em curso, no entanto, leva a dolorosas conclusões. É sobre isso que pretendo falar nos meus próximos textos. Mas, além da discussão racional sobre tais conclusões, não poderei evitar o tom de desabafo. Não poderei deixar de confidenciar meus maiores temores, minhas dúvidas e até meus devaneios. Acredito que precisamos desse lugar de apreciação em que sentimentos, como a raiva, a tristeza, o medo ou a culpa, possam ter lugar. Daí talvez possamos “libertar o futuro” da paralisia do que Mark Fisher chamou de “realismo capitalista”. Daí talvez possamos fazer com que a emergência climática deixe de ser apenas matéria espasmódica do noticiário, um domínio de especialistas, de ativistas bem formados ou de influencers digitais. A palavra precisa ser liberada. Para todos, para as pessoas comuns, que não se sentem aptas, concernidas ou que de algum modo temem encarar o monstro climático de frente. Espero contribuir com isso. Falarei de números, sim. De informação científica. De projeções, de cenários futuros possíveis e prováveis. Porém, mais do que informar, minha intenção é incomodar, provocar, comover. Porque temos urgência. Uma urgência extrema porque tudo o que está por vir é extremo. Os sinais – ou, em termos mais científicos, as evidências – já estão aí. Basta querer olhar. Um provável El Niño histórico já está em curso, num mundo muito mais aquecido que no passado (mais precisamente, em 2025 ficamos em 1,44°C acima da temperatura pré-industrial). Em 1877, o maior El Niño já registrado levou à morte cerca de 4% da população mundial. Claro, o que se explica também por razões sociais, econômicas e políticas. Nos termos de Mike Davis, as devastadoras secas (desencadeadas por esse super El Niño) que varreram, aos milhões, populações na Ásia, na África e na América do Sul, notadamente no Nordeste brasileiro, foram holocaustos coloniais da era vitoriana. Para termos algum parâmetro, importa dizer que a estimativa de aquecimento das águas do Pacífico desse El Niño de 1877 é de +2,7°C. De acordo com o Met Office, o serviço meteorológico britânico, o evento atual está no caminho de superar os 3 graus de anomalia térmica no Oceano Pacífico. Ou seja, um recorde histórico. Devemos enfrentar, portanto, secas extremas no Norte e Nordeste do Brasil, chuvas torrenciais com potencial de provocar grandes enchentes no Sul e, por toda parte, sucessivas e intensas ondas de calor. Mais grave ainda, entre 2026 e 2027 ultrapassaremos em definitivo, com toda a probabilidade, o famoso limiar de segurança de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris. Estamos no rumo da catástrofe. São abundantes as evidências de que a emergência climática não é apenas sobre o futuro, mas sobre o nosso presente. Os gigantescos incêndios que nos últimos meses estão assolando a Europa, num contexto de seca histórica e oceanos super aquecidos, forçaram o deslocamento de 370 mil pessoas só na Espanha e na França. O Danúbio e o Reno, para citar os mais ilustres rios desse continente, foram reduzidos a patamares mínimos históricos, o que forçou o desligamento ou a redução de atividade de reatores nucleares (que dependem dos rios para seu resfriamento). Infelizmente, isso é apenas um vislumbre do tipo de colapso que está em curso.  A mais recente tragédia – a avalanche no Nepal, com toda a evidência tem como um dos fatores chave a aceleração do aquecimento global. Em cerca de 30 anos o Nepal perdeu quase um terço do gelo nas montanhas. Elas derreteram 65% mais rápido na última década do que na anterior. Esse derretimento aumenta o risco de colapso abrupto de geleiras – seja no Himalaia, nos Alpes ou nos Andes. Além disso, o derretimento do permafrost, o solo congelado do hemisfério norte, também torna mais instável a estrutura dessas grandes cordilheiras. Levando em consideração apenas os riscos de inundação por rompimento de lago glacial – fenômeno envolvido na tragédia do Nepal -, pode-se dizer que cerca de 15 milhões de pessoas já estão ameaçadas. Já passou da hora de reagirmos. As palavras da jornalista Eliane Brum são certeiras: É preciso entender que vivemos o momento de maior risco da trajetória da nossa espécie nesse planeta. As pessoas estão vivendo como se o amanhã fosse garantido. O capitalismo nos reduziu a consumidores e sequestrou nosso instinto de sobrevivência. Deixemos nosso instinto de sobrevivência nos guiar. Vamos quebrar a espiral do silêncio. Como diz a canção de Harry Styles, “nós não conversamos o suficiente, nós deveríamos nos abrir, antes que tudo seja demais”.

4º Encontro Nacional Espíritas à Esquerda acontece dia 15 de agosto em Florianópolis

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Florianópolis recebe, no próximo sábado, 15 de agosto, o 4º Encontro Nacional Espíritas à Esquerda. O evento será realizado a partir das 9h, na sede do Sindiprevs-SC, localizada na Rua Dom Jaime Câmara, 259, Centro, com participação gratuita. Realizados a cada dois anos, os Encontros Nacionais constituem um importante espaço de diálogo, reflexão e articulação da esquerda espírita brasileira. As edições anteriores aconteceram em Salvador, São Paulo e Brasília. Agora, em sua quarta edição, o encontro chega a Florianópolis dando continuidade a uma trajetória de construção coletiva que busca relacionar os princípios éticos e humanistas do Espiritismo com os grandes desafios sociais e políticos do nosso tempo. O encontro parte da compreensão de que o compromisso com a transformação social, com o enfrentamento das desigualdades e com a construção de relações baseadas na solidariedade e na fraternidade também integra a responsabilidade dos espíritas diante da sociedade. Essa perspectiva encontra respaldo na compreensão de que o aperfeiçoamento espiritual não pode ser tratado apenas como uma experiência individual, mas se realiza igualmente na relação com o outro e na busca do bem comum. Além de contribuir para o debate e a organização da esquerda espírita, o encontro pretende fortalecer os laços com as diferentes correntes progressistas presentes nas religiões e tradições espirituais brasileiras. Cristãos, integrantes de religiões de matriz africana, espiritualistas e pessoas vinculadas a outros credos compartilham experiências históricas de defesa da dignidade humana, da democracia, da justiça social e da paz. A aproximação entre essas diferentes tradições parte do reconhecimento de que a prática do bem, da solidariedade e da fraternidade não pertence exclusivamente a qualquer religião ou denominação. O diálogo e o respeito à pluralidade religiosa são elementos fundamentais para a construção de uma sociedade democrática e comprometida com a dignidade de todas as pessoas.

A Construção do Reino entre nós

A programação começa às 9h, com a abertura do encontro. Às 9h15, acontece o painel “A Construção do Reino entre nós”, que reunirá diferentes experiências dos campos religioso, social e político. Participam do painel:
  • Padre Vilson Groh;
  • Afrânio Boppré, vereador em Florianópolis e candidato ao Senado;
  • Carla Ayres, vereadora em Florianópolis e candidata a deputada federal;
  • Atena Roveda, vereadora em Porto Alegre e candidata a deputada federal.
O tema do painel dialoga diretamente com a ideia de que a construção de um mundo orientado pela justiça, pela igualdade e pela fraternidade não deve ser projetada exclusivamente para uma realidade futura ou espiritual. Na perspectiva defendida pelo Espíritas à Esquerda, a transformação precisa acontecer na realidade concreta, nas relações sociais e nas instituições construídas pela humanidade. Essa compreensão também encontra fundamento em O Livro dos Espíritos. Ao tratar das desigualdades sociais, Allan Kardec pergunta, na questão 806, se elas seriam uma lei da natureza. A resposta dos Espíritos é clara ao afirmar que são obra dos seres humanos, e não de Deus. Assim, enfrentar as estruturas que produzem desigualdade, sofrimento e exclusão pode ser compreendido também como parte do compromisso ético de quem busca uma sociedade mais fraterna.

Movimento Nacional Espíritas com Lula

Às 14h, a programação terá o lançamento do Movimento Nacional Espíritas com Lula, com a participação de representações partidárias. A atividade pretende constituir um espaço nacional de articulação de espíritas comprometidos com o campo democrático e popular, ampliando o diálogo entre espiritualidade, participação política e defesa de direitos. Mais do que reunir pessoas que compartilham uma determinada compreensão política, o 4º Encontro Nacional Espíritas à Esquerda pretende contribuir para a organização coletiva e para a construção de pontes entre diferentes setores progressistas da sociedade brasileira. Em uma realidade marcada por desigualdades, intolerâncias e diferentes formas de exclusão, o encontro reafirma a necessidade de transformar princípios como amor ao próximo, fraternidade, solidariedade, justiça e igualdade em compromissos concretos com o mundo em que vivemos. 4º Encontro Nacional Espíritas à Esquerda Data: 15 de agosto Horário: a partir das 9h Local: Sindiprevs-SC — Rua Dom Jaime Câmara, 259, Centro, Florianópolis Participação gratuita O EVENTO SERÁ TRANSMITIDO AO VIVO PELO YOUTUBE DO ESPÍRITAS À ESQUERDA

Mediunidade: dom ou maldição?

Elizabeth Hernandes – EàE do DF

Primeiro, esse é um texto do Brasil. Eu imagino que o termo mediunidade não seja tão usado, no dia a dia, no resto do mundo. Mas o resto do mundo que lute porque aqui é Brasil e todos, crentes, ateus e nem tanto, vivemos entre santos, orixás, espíritos e, ultimamente, também entre cultos evangélicos onde pessoas “falam em línguas”, fazem curas e expulsam demônios.  E tudo isso pode ser manifestação de mediunidade. E também mera e simples impostura. Grosso modo, mediunidade é a capacidade de se comunicar com inteligências invisíveis e continuar convivendo (quase normalmente) na sua comunidade, sem ninguém tentar, contra você, uma intervenção psiquiátrica involuntária. Mediunidade é coisa de gente que crê, mas acho muito engraçado quando conheço pessoas que “não creem em nada” e deixam escapar que sentiram um arrepio diante de um fato inusitado que, para o médium, é só mais uma segunda-feira de manhã[1]. Já falei sobre isso antes e já saí do armário das racionalidades: sou uma médium. E não, não posso adivinhar os números da Mega Sena. E, se pudesse, não revelaria, eu mesma jogaria. E tenho uma história muito estranha e engraçada sobre isso, mas fica para outra. Foco, foco. Voltando à gente que crê, embora haja pesquisa acadêmica sobre o fenômeno, a mediunidade é, principalmente, parte da vida de pessoas que se acreditam seres espirituais vivendo uma experiência material. Essa expressão não é minha. Não sei quem é o autor ou autora, mas gosto muito. Dia desses uma pesquisadora me entrevistou (como eu já disse, espíritas são objeto de estudo acadêmico no Brasil). No decorrer da entrevista eu percebi o peso das contradições que carrego. Sou espírita, portanto, acredito em vida antes do nascimento na terra e depois da morte. Mas sou feminista e defendo que o aborto não deve ser criminalizado e que é preciso acabar com a dominação patriarcal sobre o corpo das mulheres. Livre arbítrio é um dos princípios caros ao espiritismo. Além disso, tenho formação em pesquisa, conseguida a duras penas em três excelentes universidades –Usp, Unicamp e Unb–, portanto fui treinada pelo método cartesiano. Ainda assim, falo com pessoas invisíveis ou que só conheço em sonhos. E, revisitando a Usp, lembro de uma disciplina do doutorado, com um professor genial, carismático e ateu. A certa altura do debate, falei “… pois eu acredito em Deus e em espíritos”. Meus colegas pararam de respirar diante da minha impertinência porque lá na Usp ainda existia certa hierarquia. O professor: “Sério? E você está vendo algum espírito aqui? Tem algum espírito aqui?!”. E eu: “Aqui tem vários espíritos, mas, nesse momento, eu só vejo os encarnados”. Alguns segundos de silêncio, alguns risos nervosos e o professor: “Ainda vamos falar sobre isso”. Resumo da história: contrariando todas as expectativas, eu fui aprovada com nota máxima na cartesiana disciplina e fiquei amiga do dito ateu que hoje já é espírito desencarnado. Não tenho dúvida de que, se ainda não nos encontramos, nos encontraremos porque gostávamos muito um do outro e tudo nos mundos (assim mesmo no plural), material e imaterial, é questão de sintonia. Comecei esse texto pensando em falar sobre mediunidade para pessoas que “não entendem do assunto”, mas acho que, de alguma forma, toda pessoa brasileira entende um pouco disso: de ouvir falar ou vivenciar. É simples: é apenas um sentido mais aguçado, o próprio sexto sentido, não registrado nos manuais sobre o corpo humano. E é exercida de um jeito peculiar, por cada pessoa, como a caligrafia. Já repararam que existem caligrafias parecidas, mas nenhuma é igual? A caligrafia é um modo de identificar as individualidades, como a impressão digital. Mas a mediunidade pode ter conotações religiosas, filosóficas e até comerciais. E pode causar muito sofrimento emocional e até físico. No espiritismo, por exemplo, buscamos seguir os ensinamentos de Jesus (pelo menos tem gente que jura que segue) e somos criticados por outros cristãos que dizem que a comunicação com os espíritos é vedada pela bíblia. Mas esse mesmo pessoal que segue umas coisas e outras nem tanto da bíblia acredita em aparições de santos ou em comunicações do “espírito santo” (algumas vezes em línguas intraduzíveis). Eu não quero criticar ninguém e nem defender “o meu lado”. Sou a favor do estado laico justamente porque ele defende a liberdade de crença. Durante a maior parte da minha vida, meu maior interesse foi me tornar uma pessoa cada vez mais escolarizada. Não à toa, cumpri todos os graus da formação universitária. Eu me aceitava espírita e acreditava na mediunidade… dos outros. Fazia questão de dizer que meu lugar, na doutrina espírita, era o da assistência social. Já havia gente demais para trabalhar na seara mediúnica. Um dia eu não pude mais fugir do assunto e, claro, comecei pela parte que mais gosto: o  estudo. Qual não foi minha surpresa quando entendi que não poderia ficar só na teoria e deveria partir para a prática. Não foi fácil para uma pessoa que se preparou durante anos para explicar os fenômenos da vida sob a ótica da metodologia da pesquisa. E depois de aceitar isso, percebi que nada tinha sido tão terra a terra como eu gostaria de continuar acreditando. Havia lidado com fenômenos mediúnicos a vida toda, só não os admitira. Eu gostava mais de me assumir pesquisadora certificada por títulos universitários, mas a vida me impôs a grande escolha, que todo médium tem de fazer: se admitir louco ou se admitir médium. Eu, que não era besta nem nada, prefiro não ser a louca (e nunca chame uma mulher de louca, só lembrando). Mas o que eu gosto de ressaltar é que a mediunidade não é essa coca cola toda, sabe? Não confere superpoderes, nem mais sabedoria e nem mais santidade ou maldade. Não é um privilégio e tampouco um destino inescapável. Sobre privilégio e maldição, explico: nunca se deixe levar por pessoas que dizem que sabem ou veem mais do que os outros. As pessoas que agem assim podem até ser médiuns, mas estão exercitando a faculdade de modo equivocado. Estão tentando impressionar, estão disputando poder. E a mediunidade não deve ser usada para obter poder ou influência. E, sim, tem gente que vai usar e obter. Mas vai acabar tendo de prestar contas sobre isso. E pode prejudicar muita gente. A pessoa que se deixa pressionar ou impressionar por este tipo de médium (ou farsante, em muitos casos) tem alta probabilidade de se dar mal. Ninguém precisa temer médiuns ou mediunidades. Não existe nada sobrenatural em comunicar-se com pessoas ou energias imateriais ou invisíveis. É apenas um sentido a mais, e acredite quem quiser, literalmente. Vale repetir: não é uma maldição. Embora muita gente sofra os efeitos da própria mediunidade em descontrole e apresente sintomas que, algumas vezes, são confundidos com sintomas de doença mental –ou mesmo física–, tudo se resolve quando o indivíduo se dispõe a buscar ajuda. E ninguém é obrigado a exercê-la se não quiser. As pessoas que sofrem por causa dessa faculdade podem ser ajudadas por médiuns que sabem lidar com o fenômeno (em qualquer denominação religiosa) e por profissionais de saúde mental que podem, inclusive, ser totalmente céticos. O que importa, para médiuns e profissionais de saúde, é entender do assunto com o qual estão lidando e serem éticos. O resto, literalmente, Deus proverá. [1] Para saber mais leia O livro dos médiuns – Edição antirracista disponível em https://espiritasaesquerda.com.br/lancamento-nova-edicao-antirracista-de-o-livro-dos-mediuns-esta-disponivel-gratuitamente-em-pdf/

10 anos do EàE: Livraria Gratuita e novos Clássicos para pensar o espiritismo e a transformação social

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Como parte das comemorações de seus 10 anos de trajetória, o Coletivo Espíritas à Esquerda reúne e disponibiliza suas publicações na Livraria Gratuita, ao mesmo tempo em que lança a coleção Clássicos Espíritas à Esquerda. A iniciativa marca uma década de produção crítica, reafirmando o compromisso com a democratização do conhecimento e com a construção de um pensamento espírita conectado às lutas por justiça social. A Livraria Gratuita (clique aqui) passa a concentrar todas as obras já publicadas pelo coletivo, incluindo a coleção antirracismo, organizada ao longo dos últimos anos. Com download livre em PDF, o espaço consolida um acervo acessível a todas e todos, fundamentado na ideia de que o conhecimento não deve ser mercadoria, mas partilha — um instrumento de estudo, reflexão e transformação coletiva . Celebrando essa trajetória, o coletivo também apresenta a coleção Clássicos Espíritas à Esquerda, que propõe revisitar obras fundamentais a partir de uma leitura crítica e comprometida com o presente. Entre os primeiros títulos está Socialismo e Espiritismo, de Léon Denis, obra que estabelece um diálogo potente entre espiritualidade e organização social. Denis argumenta que não há evolução humana verdadeira sem enfrentar as desigualdades materiais, defendendo que fraternidade e justiça devem se expressar concretamente na vida coletiva. Seu pensamento aproxima o espiritismo das lutas sociais, indicando que a transformação do mundo exige tanto consciência quanto ação. Ao articular memória, produção própria e releitura de clássicos, o Espíritas à Esquerda celebra seus 10 anos fortalecendo um projeto que une espiritualidade, crítica social e compromisso com a construção de um mundo mais justo.

Vista-se com propósito com a “Lojinha Online” do Espíritas à Esquerda!

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Com alegria e muita luta, o Coletivo Espíritas à Esquerda lançou, na última sexta, 16 de janeiro,  a sua lojinha online! Agora, camisetas e canecas com ideias, frases e nossa identidade visual estão disponíveis para quem quiser apoiar e caminhar junto com esse projeto coletivo. CLIQUE AQUI PARA VER A LOJA Cada estampa carrega mais do que um desenho bonito — ela expressa uma escolha de mundo: antirracismo, justiça social, ecologia, solidariedade e espiritualidade crítica, engajada com a transformação das estruturas que geram dor, exclusão e desigualdade.

Por que criamos essa lojinha?

O Coletivo Espíritas à Esquerda mantém todas as suas atividades gratuitas: estudos, grupos de leitura, podcasts, lives, publicações das edições antirracistas de Kardec, participação em eventos e redes de luta por direitos humanos. Nada disso tem custo para quem participa. Mas, como todo trabalho coletivo, isso exige recursos. A lojinha é uma forma de autossustentação, com coerência e independência. Toda a renda obtida com as vendas será usada exclusivamente para manter as atividades e iniciativas do coletivo — site, materiais, impressões, ferramentas digitais, estrutura para eventos e mais. Ao adquirir um produto, você colabora diretamente com a continuidade e o fortalecimento desse movimento que não depende de doações institucionais, patrocínios ou vínculos com grupos religiosos ou políticos.

Ajude a transformar o mundo aqui e agora

Sabemos que o Espiritismo não se limita à vida espiritual futura, mas se compromete com a transformação do mundo aqui e agora. Por isso, dizemos com convicção: “Fora da justiça socioambiental não há salvação”. Essa frase, que também estampa uma de nossas camisetas, resume o espírito do coletivo. Não buscamos uma salvação individual, mas uma emancipação coletiva, que una espiritualidade, dignidade humana, cuidado com a vida e com o planeta. E isso começa nas pequenas escolhas — inclusive nas que fazemos ao nos vestir ou presentear alguém. Vista a causa. Apoie o coletivo. Espalhe ideias. Acesse a loja e escolha os produtos que mais falam com o seu coração: https://umapenca.com/espiritasaesquerda/

Lançamento: nova edição antirracista de O Livro dos Médiuns está disponível gratuitamente em PDF

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No dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o coletivo Espíritas à Esquerda lançou a edição antirracista de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. A obra é o quarto volume da Coleção Antirracista de Kardec, que já conta com edições comentadas e gratuitas de O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos e O Que É o Espiritismo. A live de lançamento, transmitida pelas redes sociais do coletivo, trouxe um diálogo profundo sobre mediunidade, racismo estrutural e responsabilidade histórica. O evento foi marcado por momentos de análise crítica do livro, leitura comentada do prefácio e reflexões sobre a importância da revisão dos clássicos espíritas à luz dos direitos humanos.

 ▶️ Assista à live completa aqui:

Uma obra essencial, agora com olhar antirracista

Publicado originalmente em 1861, O Livro dos Médiuns trata das manifestações dos Espíritos, dos diferentes tipos de mediunidade, dos critérios para o discernimento das mensagens recebidas e dos cuidados éticos no exercício dessa comunicação. A nova edição antirracista traz, além do texto original traduzido por Guillon Ribeiro, intervenções explicativas que comentam um trecho listado no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público Federal da Bahia em 2007. O TAC identificou 106 trechos de 21 livros de Allan Kardec que poderiam conter conteúdos potencialmente discriminatórios ou preconceituosos. A proposta da Coleção Antirracista é tornar visíveis essas passagens, analisá-las criticamente e promover um diálogo com os leitores sobre o contexto histórico e seus reflexos ainda presentes.

Principais destaques da live

Durante a transmissão, os integrantes do EàE destacaram:
  • A importância de revisitar as obras fundamentais do espiritismo com senso crítico e compromisso com a justiça social;
  • O papel ativo de médiuns e leitores na construção de uma prática espírita mais inclusiva e coerente com os valores de igualdade e respeito;
  • A necessidade de reconhecer as limitações de linguagem e visão de mundo presentes em textos do século XIX, quando viveu Kardec, sem abandonar os princípios espirituais neles contidos;
  • A escolha simbólica do Dia da Consciência Negra para lançar uma obra que nos convida a enxergar, no exercício mediúnico, também um espaço de reparação histórica e ética. 

Acesse gratuitamente

A obra completa está disponível gratuitamente para leitura e download em PDF no site do coletivo: 📘 Baixar O Livro dos Médiuns – Edição Antirracista (PDF) Com essa publicação, o Espíritas à Esquerda reafirma seu compromisso com um Espiritismo que dialoga com os desafios do presente e atua na superação de toda forma de preconceito. A mediunidade, como toda prática espiritual, também pode ser instrumento de libertação.

Espíritas à Esquerda vira tema de monografia na UFRGS

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O coletivo Espíritas à Esquerda acaba de ganhar um espaço importante no meio acadêmico: foi tema de uma monografia de graduação apresentada no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), uma das mais prestigiadas do país. A pesquisa, assinada por Luana Matos dos Reis, investigou como o coletivo tem promovido uma leitura progressista do espiritismo, articulando fé, justiça social e política. Intitulada “Manifestações públicas do coletivo Espíritas à Esquerda”, a monografia foi defendida no Departamento de Antropologia e lança luz sobre o papel do EàE como um agente de ruptura dentro do movimento espírita brasileiro, historicamente marcado por tendências conservadoras e apolíticas.

Um espiritismo que sai do gabinete e entra na luta

O estudo parte de uma constatação provocadora: embora a doutrina codificada por Allan Kardec contenha fortes elementos de ética social e compromisso com o progresso da humanidade, o espiritismo brasileiro se consolidou, em grande parte, como uma prática assistencialista e distante do debate político. O coletivo Espíritas à Esquerda surge como uma exceção a essa regra – e é exatamente isso que chama a atenção da pesquisadora. Luana analisa a atuação pública do coletivo nas redes sociais, com destaque para o Instagram, onde o EàE compartilha reflexões doutrinárias à luz de pautas como o antirracismo, os direitos humanos, a equidade de gênero e o combate à desigualdade. A pesquisa também considera as edições antirracistas das obras de Allan Kardec, projeto pioneiro do coletivo, como expressões concretas de uma militância doutrinária com os pés fincados na realidade social do Brasil.

Espiritismo com consciência social

Um dos pontos mais relevantes apontados pela monografia é o fato de o EàE não abandonar a base kardecista, mas reinterpretá-la a partir de um olhar comprometido com os grupos historicamente oprimidos. Ao invés de relativizar ou contornar trechos polêmicos, o coletivo escolhe confrontar e contextualizar, com intervenções críticas que abrem espaço para a reparação histórica e o diálogo. Para Luana, o coletivo representa “uma experiência inovadora de articulação entre religião e política no campo espírita”, que desafia a hegemonia conservadora e propõe uma nova forma de viver a espiritualidade: mais ativa, mais coletiva e mais justa.

Repercussão e caminhos

A presença do Espíritas à Esquerda como objeto de pesquisa em uma universidade pública é sinal claro de que a atuação do coletivo está ultrapassando os muros virtuais e ganhando relevância social. Mais do que isso, indica que há um campo fértil para o diálogo entre espiritualidade e ciência, fé e justiça, mediunidade e movimento. Ao final do trabalho, a autora conclui que o coletivo contribui para “ampliar os debates no campo religioso”, e aponta caminhos para um espiritismo comprometido com as demandas do presente e com a construção de um futuro mais igualitário.

VEJA AQUI A MONOGRAFIA COMPLETA

Espíritas progressistas denunciam massacre em Gaza – Nota pública de repúdio

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No dia 28 de julho de 2025, o coletivo Espíritas à Esquerda, ao lado de mais de vinte organizações espíritas progressistas de diversas regiões do país, divulgou uma nota pública de repúdio diante dos ataques violentos e sistemáticos praticados pelo governo de Israel na Faixa de Gaza. A manifestação, contundente e fundamentada, denuncia o genocídio em curso e exige resposta imediata da comunidade internacional.

A nota reconhece o sofrimento do povo palestino como uma tragédia humanitária de grandes proporções, que ultrapassa qualquer justificativa geopolítica ou religiosa. Civis indefesos — entre eles, crianças — têm sido vítimas de fome, sede, bombardeios e violência deliberada. O texto responsabiliza diretamente o governo de extrema-direita comandado por Benjamin Netanyahu, qualificando as ações israelenses como crimes de guerra que precisam ser detidos e responsabilizados.

Para além da denúncia, o documento reafirma valores centrais do espiritismo: a defesa incondicional da paz, da justiça, do diálogo entre os povos e da dignidade humana. Os signatários convocam a ONU e as nações comprometidas com os direitos humanos a intervir com urgência, exigindo o cessar imediato dos ataques e a liberação de ajuda humanitária.

Inspirados nos ensinamentos de Jesus e nos princípios da doutrina espírita, os espíritas progressistas deixam claro que a caridade, para ser autêntica, não pode se limitar à dimensão individual. Deve também se manifestar no plano coletivo, como solidariedade ativa diante das injustiças sociais e políticas. Como afirmam na nota: “Isso é caridade em sentido macrossocial.”

A publicação da nota representa um marco importante para o movimento espírita brasileiro, demonstrando que há vozes dentro da doutrina comprometidas com os direitos dos povos oprimidos e com uma espiritualidade que se traduz em ação ética e coerente com os tempos em que vivemos.

📢 Leia a nota na íntegra e confira a lista completa das entidades signatárias abaixo.

ESPÍRITAS PROGRESSISTAS DENUNCIAM

MASSACRE EM GAZA – NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO

O Espíritas à Esquerda, juntamente com os demais coletivos espíritas progressistas, manifestamos nosso mais veemente repúdio às ações violentas e covardes das Forças Armadas do estado nazissionista de Israel que, sob o comando do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, vêm promovendo um verdadeiro genocídio na Faixa de Gaza. É profundamente comovente e revoltante assistir à morte de civis —incluindo crianças— por fome, sede e bombardeios, além de relatos gravíssimos de pessoas sendo alvejadas enquanto buscam alimentos.

Diante desse cenário de barbárie, apelamos à Organização das Nações Unidas (ONU) e a todos os países comprometidos com os direitos humanos para que se unam com urgência no esforço de cessar tais crimes de guerra. Que o governo de extrema-direita de Israel seja responsabilizado internacionalmente e que o mundo se erga contra todas as formas de massacre, terrorismo e desumanização.

Reafirmamos, como espíritas progressistas, a defesa da paz, do diálogo entre os povos, da entrada emergencial de ajuda humanitária e do fim imediato dos ataques ao povo palestino. Isso é caridade em sentido macrossocial.

Por uma Palestina livre onde todos possam viver com dignidade e justiça!

Publicado em 28 de julho de 2025 Assinam esta nota: 1. Espíritas à Esquerda – Brasil 2. Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA (CEPABrasil) – Santos/SP 3. Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE) – Bragança Paulista/SP 4. Associação Brasileira Espírita de Direitos Humanos e Cultura de Paz (ABREPAZ) – Goiânia/GO 5. Associação de Estudos e Pesquisas Espírita de João Pessoa (ASSEPE) 6. Associação Espírita de Pesquisas em Ciências Humanas e Sociais (AEPHUS) – Goiânia/GO 7. Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA) 8. Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDOC) – Santos/SP 9. Centro Espírita Herculano Pires (CEHP) – Rio de Janeiro/RJ 10. Coletivo Ágora Espírita – Recife/PE 11. Coletivo de Estudos Espiritismo e Justiça Social (CEJUS) 12. Coletivo Espírita Maria Felipa – Salvador/BA 13. Coletivo Girassóis – Espíritas pelo Bem Comum – Fortaleza/CE 14. Cultura Espírita Livre-Pensar (CELP) – Curitiba/PR 15. Fraternidade Espírita – Goiânia/GO 16. Fronteiras do Pensamento Espírita – Goiânia/GO 17. Grupo Espírita Livre Pensar (GELP) – Santos/SP 18. Movimento Mundial de Mulheres Espíritas (MOVMMESP) 19. Movimento pela Ética Animal Espírita (MOVE) – Rio de Janeiro/RJ 20. Canal YouTube Suzana Leão – Novo Hamburgo/RS 21. Canal Cavanhaque de Kardec – Rio de Janeiro/RJ 22. Canal YouTube Armas de Minerva – Rio de Janeiro/RJ

Carta Aberta ao Supremo Tribunal Federal

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Pelas Mulheres do Espíritas à Esquerda

Excelentíssima Ministra e Excelentíssimos Ministros do Supremo Tribunal Federal, Nós, mulheres do coletivo Espíritas à Esquerda de todo o Brasil, dirigimo-nos a esta Corte com respeito e firmeza para manifestar nossa posição diante da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 1141, proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que trata da interrupção da gestação em casos de estupro após 22 semanas. Rejeitamos veementemente a tentativa de entidades religiosas, como a Federação Espírita Brasileira (FEB) e a Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas (ABRAME), de se apresentarem como representantes da totalidade do movimento espírita brasileiro neste processo. A FEB e a ABRAME não representam a pluralidade de pensamentos, práticas e compromissos sociais que compõem o espiritismo no Brasil. Portanto, não têm legitimidade para falar em nome dos espíritas. O Espíritas à Esquerda tem denunciado publicamente o distanciamento dessas entidades em relação às pautas de justiça social, gênero e direitos reprodutivos, bem como com a luta antirracista. Somos a maioria. O CEBRAP publicou estudo com diversas pesquisas eleitorais de segundo turno agregadas, mostrando o posicionamento político de cada tipo de credo. E, não surpreendentemente, são os espíritas os que mais rejeitam o conservadorismo da extrema-direita. Somos 67,7%, ou seja, de cada 3 espíritas, 2 declararam voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto apenas 27% declararam voto no então candidato da extrema-direita. Esses dados revelam que a maioria dos espíritas brasileiros compartilha valores progressistas, democráticos e comprometidos com os direitos humanos —e não se reconhece nas vozes conservadoras e reacionárias que tentam se impor como porta-vozes do movimento espírita. Além disso, acrescentamos que, em 2022, as mulheres do coletivo Espíritas à Esquerda, elaboraram o Manifesto pelo direito de decidir, apresentado e aprovado na plenária do II Encontro Nacional da Esquerda Espírita (ENEE), realizado em 10 de julho de 2022 na sede do Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo. A íntegra do documento está disponível na página do coletivo Espíritas à Esquerda. Nesse sentido, não podemos retroceder! Reafirmamos que:
  • O livre-arbítrio é um princípio espiritual inalienável. Cabe a cada espírito, em sua jornada evolutiva, tomar decisões éticas e conscientes. Portanto, impor restrições à autonomia das mulheres é violar esse princípio fundamental;
  • A verdadeira caridade não se expressa por meio da coerção, mas do acolhimento. Julgar e punir mulheres que enfrentam gestações resultantes de violência sexual é incompatível com a proposta espírita; e
  • A laicidade do estado é uma conquista civilizatória. O espiritismo, como filosofia espiritualista e adogmática, deve preservar sua liberdade de pensamento e jamais se prestar a impor normas religiosas sobre os corpos e as escolhas alheias.
Por isso, solicitamos respeitosamente a esta Corte que não aceite a participação das entidades solicitantes como representantes do espiritismo brasileiro. Porque elas não o são. Elas não falam pela maioria dos espíritas. Porque nós, espíritas progressistas, reconhecemos o direito exclusivo da mulher sobre seu corpo e entendemos que qualquer decisão sobre sua gestação é de sua única e inteira responsabilidade. A vida da mulher —em sua integralidade física, emocional, psíquica e espiritual— deve ser respeitada como digna e inviolável. Que esta Suprema Corte, guardiã da Constituição e dos direitos fundamentais, escute também as vozes da espiritualidade que acolhe, que liberta e que caminha com o tempo. Mulheres do Espíritas à Esquerda Coordenação do Coletivo Espíritas à Esquerda  

Referências:

A guerra como espelho da falência moral da humanidade

Gastão Cassel* – EàE SC

A existência de guerras, em qualquer tempo ou lugar, é uma prova contundente de que a evolução moral e espiritual da humanidade não é uma conquista individual, mas um trabalho coletivo que ainda engatinha. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, explica que a guerra nasce do predomínio dos instintos mais primitivos sobre a razão esclarecida, sendo, portanto, uma manifestação da inferioridade moral de um povo ou de uma época.

A guerra expõe, de forma brutal, que os vícios da ambição, do orgulho e do egoísmo ainda comandam as estruturas sociais. Por isso, pode-se dizer, sem medo de errar, que a guerra é a expressão mais terrena que existe — um retrato do homem ainda distante da plenitude espiritual que deveria perseguir.

Ao observarmos as guerras contemporâneas — como a que devasta a Ucrânia, o conflito em pleno curso entre Israel e Irã, e, sobretudo, o genocídio perpetrado por Israel na Faixa de Gaza — percebemos que, por trás de discursos nacionalistas ou religiosos, movem-se interesses econômicos que buscam redesenhar a geopolítica do capitalismo pós-industrial. Em plena sociedade da informação, com bigtechs controlando dados, comportamentos e fluxos de capital, vemos bilionários e corporações gigantes agindo como peças-chave de projetos políticos desumanos e devastadores. Enquanto bilhões de pessoas anseiam por paz e dignidade, poucos concentram poder para decidir sobre a vida e a morte de multidões.

Essa realidade revela a falência moral de uma civilização que já domina tecnologias capazes de erradicar a fome, democratizar o conhecimento e promover a fraternidade, mas que ainda se deixa aprisionar por velhos instintos de dominação e destruição. Vemos, inclusive, um retrocesso civilizatório alarmante: especialmente nos últimos anos, assistimos a lideranças como a dos Estados Unidos sob Donald Trump tripudiarem a ONU e desmontarem práticas diplomáticas que durante décadas serviram de pilares para o equilíbrio e a paz entre as nações.

O Espiritismo nos ensina que o progresso intelectual caminha mais rápido que o progresso moral, e aí reside o grande desafio do nosso tempo: equilibrar a evolução técnica com o cultivo da ética, da solidariedade e do amor ao próximo. Nenhuma guerra nasce de corações pacificados. Nenhuma guerra resiste onde floresce a fraternidade.

Enquanto houver drones, mísseis e bombas sendo lançadas, soldados marchando e populações massacradas, precisaremos admitir que ainda estamos longe de sermos uma humanidade regenerada. A verdadeira paz não será fruto de reformas individuais isoladas, mas de ações comunitárias organizadas, políticas e solidárias que se levantem, com coragem e consciência, contra a barbárie. Este é o chamado que a hora presente nos faz: transformar o mundo que herdamos, para legar às gerações futuras uma Terra onde a fraternidade não seja um ideal distante, mas uma realidade viva.

Sobre o autor – Gastão Cassel é jornalista e publicitário, membro do Espíritas à Esquerda de Santa Catarina.