
Nota:
[1] https://youtu.be/GWLGRiF5Ru8

Nota:
[1] https://youtu.be/GWLGRiF5Ru8
Ver essa foto no Instagram

A teocracia fundamentalista se instala no nosso país a passos largos. Se antes os avanços de setores radicais e fundamentalistas de igrejas várias sobre recursos e espaços do estado brasileiro era tímido e claudicante, como a testar possibilidades, agora, no período pós-golpe de 2016, é violento e intenso, explicitando o projeto em curso.
De um lado, o Congresso Nacional e o poder executivo, aliados no projeto de transformação do estado numa teocracia cristã, sob os olhares sempre desatentos e, por vezes, coniventes do poder judiciário, esforçam-se em dar a igrejas neopentecostais cada vez mais recursos oriundos do estado nacional, seja por meio do aumento significativo de propagandas do governo federal nas emissoras de rádio e TV dessas igrejas[1], ou por meio de absurdos perdões às mesmas igrejas de dívidas bilionárias com o estado[2].
Além desse indecente assalto aos cofres públicos, portanto assalto ao bolso de todo o povo brasileiro, independentemente de sua fé ou falta dela, o estado foi completamente tomado por pessoas escolhidas apenas pela crença que adotam, e não por suas capacidades técnicas ou administrativas[3]. Isso tem um nome muito claro: aparelhamento do estado. O estado brasileiro hoje está completamente aparelhado por pastores, crentes e fiéis que têm como única “virtude” a fé neopentecostal que professam. E deixam isso muito claro no trato das questões administrativas dentro do serviço público federal.
Por outro lado, e dando seguimento ao projeto teocrático de precarização educacional e científica da sociedade brasileira, os números de investimentos no setor de pesquisa e desenvolvimento (P&D) ruiu drasticamente desde 2016, mostrando a tendência do projeto social teocrático em ação. Se em 2015 o país alcançou seu maior orçamento histórico em P&D, com valor acima de R$ 13 bilhões, em 2020, após quedas anuais sucessivas, esse valor esteve abaixo de R$ 2,5 bilhões[4], como mostra o gráfico que ilustra esse texto, cuja fonte é um estudo do IPEA, órgão do próprio governo federal.
A proposta, portanto, torna-se evidente: menos ciência, pesquisa, educação, Constituição; mais pastores, igrejas e textos ditos sagrados. O Brasil tem feito uma escolha sobre seu futuro a cada nova eleição em que coloca nos poderes republicanos pessoas e grupos que atentam contra os próprios valores republicanos. Mas essa escolha, a história mostra à mancheia, é um caminho de perda de direitos e liberdades, de perseguições e torturas, de injustiças e desigualdades, de trevas e sombras.
Esse é um momento histórico importante e todos os que aspiram por uma nova sociedade de justiça e fraternidade devem engajar-se na luta contra o projeto de transformação da sociedade brasileira numa teocracia fundamentalista cristã, numa Arábia Saudita cristã. E essa luta passa, necessariamente, pela luta contra o talibã cristão que se apossou do estado brasileiro. Não é uma questão de respeito à fé alheia ou do direito inalienável de professá-la em espaços privados, mas a fé criminosa que faz do Brasil uma sociedade teocrática deve ser denunciada e seus militantes combatidos.
Quanto aos espíritas, muitos se entregaram inocente e sofregamente ao projeto neopentecostal de tomada do estado brasileiro, amasiados pelo canto da sereia do obtuso discurso religioso conservador, sem se darem conta de que, logo ali, serão perseguidos por sua fé desviante da teocracia pré-instalada. Os bolsoespíritas que ainda mantêm sua posição em relação a esse projeto são parceiros dessa aberração político-teocrática e devem ser combatidos e denunciados sem parcimônia, cotidianamente, pois, além de serem propagadores dentro do meio espírita e entre seus incautos seguidores desse tenebroso projeto, são pessoas que deturpam todas as propostas espíritas de amor, fraternidade e justiça social. E, como bem lembra mensagem famosa das obras espíritas,
“[…] Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.”[5]
Espíritas verdadeiros, unamo-nos na luta contra o talibã cristão, esteja ele onde estiver: numa igreja neopentecostal ou numa casa espírita qualquer.
Notas:
[1] https://www.brasildefato.com.br/2020/06/16/governo-gastou-r-30-milhoes-em-radios-e-tvs-de-pastores-que-apoiam-bolsonaro
[2] https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2020/09/07/congresso-perdoa-r-1-bi-em-dividas-de-igrejas-bolsonaro-precisa-sancionar.htm
[3] https://veja.abril.com.br/blog/matheus-leitao/os-tres-pastores-de-bolsonaro/
[4] KOELLER, Priscila. Investimentos federais em pesquisa e desenvolvimento: estimativas para o período 2000-2020. https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/202189_nt_investimento%20federais.pdf
[5] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Cap. X. Item 21.
Releituras kardecistas – com Marcio Sales Saraiva


Nós, abaixo assinados, manifestamos nossa solidariedade ao povo brasileiro e extrema preocupação com o projeto de destruição nacional realizado pelo Governo de Jair Bolsonaro. A gestão da pandemia de Covid-19, responsável por mais de meio milhão de pessoas mortas no Brasil, é a face mais visível de um trágico empreendimento que inclui a destruição de ecossistemas e a venda de patrimônio nacional, o desejo de ani- quilação de culturas e povos originários, ataques aos direitos humanos, às populações indígenas e quilombolas, a criminalização de ativistas e de movimentos sociais, além da perseguição aos grupos mais oprimidos, como as mulheres e a população LGBTQI+.
Desde o início da pandemia, a política negacionista do Governo Bolsonaro demonstrou o desprezo do presidente e de seus apoiadores para com a gravidade da situação e pela dor de quem chora a perda dos seus. Discursos minimizando os efeitos do vírus (“é uma gripezinha”), incitando o ajuntamento de pessoas, desprezando o uso das más- caras, travando uma luta política com os que defendiam ações fundamentadas em informações científicas contra a pandemia, são publicamente conhecidos. Soma-se a isso o gasto público na promoção de remédios ineficazes e da recusa sistemática para compra de vacinas. É evidente o projeto genocida do Governo Bolsonaro, presente não só em suas declarações, mas também na adoção de medidas que facilitaram a propagação do vírus, em completa desconsideração para com a vida de milhares de brasileiros e brasileiras.
Os números são alarmantes. A fome avança e a insegurança alimentar já atinge mais da metade dos lares brasileiros. Os fracassos na condução da política econômica são uma evidência com aumento do custo de vida e desemprego. As pessoas pobres e negras são as mais atingidas. A desconstrução violenta das políticas de proteção ambiental tem levado o país a um verdadeiro ecocídio e envolve riscos concretos à vida de quem se opõe. O Governo de Bolsonaro é denunciado internacionalmente por descumprir convenções internacionais de que o Brasil é signatário, bem como é visível o desacato à Constituição brasileira. As notícias mais recentes revelam tentativas de superfaturamento na compra de vacinas, num quadro de grande atraso no processo de imunização.
Por isso, aliamo-nos aos protestos realizados em todo Brasil e em dezenas de cidades do mundo, clamando pelo apoio internacional pelo fim do genocídio e ecocídio em curso no Brasil.
Portugal, 28 de Julho de 2021.




A sociedade brasileira vive um momento de crise aguda, uma crise que afeta gravemente a saúde e o emprego do seu povo, além do meio ambiente onde vive. A fome se alastra e a violência ameaça todos e, em especial, os mais vulneráveis. Esse seria, pois, o momento em que os poderes instituídos pela Constituição Federal de 1988 deveriam unir esforços no sentido de superar tamanha crise social e econômica. Entretanto, o que se viu e ainda se vê nesse período de longa pandemia é o Poder Executivo federal caminhar no sentido oposto ao que é necessário e urgente, abdicando de seu papel de buscar soluções, para, ao invés, transgredir leis e ameaçar uma sociedade já tão fragilizada pelo momento tormentoso que passa e com o luto coletivo em que está mergulhada.
O povo brasileiro está horrorizado diante da escalada de ameaças ao Estado democrático e às liberdades sociais e políticas, vindas de integrantes do Palácio do Planalto e das Forças Armadas. Dia após dia, verbalizam eles seu desprezo pela democracia e atentam contra as demais instituições do Estado brasileiro. Recentemente o Senado Federal e o Tribunal Superior Eleitoral tiveram que se manifestar contra essa verborragia autoritária e ameaçadora vinda dessa gente que ainda não aprendeu a conviver numa sociedade livre.
Nós, espíritas progressistas, reunidos em diversos grupos, associações e coletivos pelo Brasil, reiteramos nossos valores de luta por uma sociedade na qual a justiça social e a liberdade plena sejam conquistas permanentes. Nesse grave momento, conclamamos as diversas instituições de Estado, em todas as esferas de poder, a se manterem fiéis aos princípios constitucionais e unirem-se no sentido de garantir a completa apuração dos fatos que levaram à morte de mais de meio milhão de brasileiras e brasileiros; e de garantir a condução do processo eleitoral previsto para o próximo ano, sem sobressaltos e sem ameaças. E, assim, possam assegurar ao povo a esperança de dias melhores, com a superação das crises que nos assolam.
Há um longo caminho a ser percorrido para construirmos uma sociedade mais justa e igualitária, mas não podemos mais retroceder os passos que já tínhamos dado nesse sentido. Que todos os brasileiros e brasileiras conscientes, que estejam em cargos nas esferas dos poderes executivo, judiciário e legislativo possam ter coragem e empenho, para agirem no sentido de garantia de nossos direitos fundamentais e da democracia.
Assinam esse documento os seguintes coletivos, associações e grupos:
ABPE – Associação Brasileira de Pedagogia Espírita
Abrepaz – Associação Brasileira Espírita de Direitos Humanos e Cultura de Paz
Ágora Espírita
Blog Livre Pensadora
Cejus – Coletivo de Estudos Espiritismo e Justiça Social
CEPA – Associação Espírita Internacional
CEPABrasil – Associação Brasileira de Delegados e Amigos da CEPA
Cetrans – Coletivo Espírita pela Transformação Social
CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita
EàE – Espíritas à Esquerda
Espíritas Progressistas
Girassóis – Coletivo Girassóis, Espíritas pelo Bem Comum
Brasil, 12 de julho de 2021